A importância de brincar e o tempo livre

  1. Mas afinal o que é brincar?

Brincar é uma das muitas atividades que ajudam no desenvolvimento da criança. Brincar ajuda na formação da identidade, na capacidade de autonomia, na memória, bem como a desenvolver criatividade e imaginação. É durante a brincadeira e através dela, que a criança aprende novos conceitos e que se prepara para o mundo exterior.  Uma das características do brincar é poder dar liberdade à criança.

No brincar existem duas componentes fundamentais, por um lado o brincar apresenta um ato mental (pode ser uma fantasia ou um desejo consciente) e por outro lado, um ato físico (ou seja, um comportamento observável).

Brincar é considerada uma forma de comunicação, onde é possível exprimir sentimentos, pensamentos e perceções, para os quais muitas vezes não existem palavras. Brincar é bastante útil para a criança poder explorar, expressar-se e dar significado às suas dificuldades, mas ao mesmo tempo treinar competências e comportamentos.

Ao brincar, a criança consegue clarificar o seu mundo interno, as suas vivências, o conhecimento de si e do mundo; ajudando assim a construir relações interpessoais saudáveis e encontrar melhores formas de comunicar.

Quando a criança brinca, está constantemente a ser estimulada, vai também conhecendo o mundo, as regras e as pessoas que a rodeiam. Não há dúvidas que brincar é uma ferramenta fundamental para o desenvolvimento das capacidades e competências de todas as crianças. Este é o modo mais completo do processo educativo uma vez que influencia a inteligência e a componente emocional.

  1. Porque é que é tão importante os pais brincarem com os seus/suas filhos/as?

Um aspeto muito importante é o da criança nunca se sentir culpada por estar a brincar, que ache que está a perder o seu tempo ou que deveria estar a fazer outras coisas mais úteis. Sendo os pais os mediadores nos primeiros anos de vida, são eles que podem ou não permitir à criança explorar a fantasia e são também os responsáveis pela colocação de limites na brincadeira. Estes limites e a forma como aos colocam contribuem em grande parte para o desenvolvimento da capacidade lúdica da criança.

Outro fator a considerar é que antes de a criança poder brincar sozinha, ela tem que brincar com os pais.

Talvez por isso é que na maior parte das vezes, psicólogos e terapeutas aconselham que os pais brinquem apenas 30 minutos por dia com os seus/suas filhos/as, mas com a máxima disponibilidade emocional, ou seja, desligando telemóveis e tudo o que possa roubar a atenção da criança.

Mas atenção!!

Apesar de ser importante a participação ativa dos pais na brincadeira com as crianças, esta não deverá ser excessiva, visto que poderá tornar-se intrusiva. Quando a criança procura brincar sozinha, uma vez que há brincadeiras que os adultos não são bem-vindos, estes não devem preocupar-se mas sim confiar e respeitar a individualidade da criança (dando assim a privacidade necessária para o seu/sua filho/a se conhecer).

Para além de brincar é também importante o tempo livre, ou seja, as crianças precisam de tempo para não fazerem nada. É neste tempo de não fazerem nada que cada criança tem a oportunidade de explorar o mundo interior e exterior, estimula também a criatividade/imaginação, aprende a resolver problemas (porque é confrontada com o não fazer nada) e desenvolve competências emocionais (lidar com o aborrecimento). Quando as crianças se confrontam com este aborrecimento, é assim que surge a pergunta “o que vou fazer?”, motivando assim para fazerem algo que as motive verdadeiramente. É aqui que surge o debate acerca das tecnologias; se as crianças estiverem demasiado entretidas com aparelhos tecnológicos muito dificilmente irão conseguir descobrir os seus interesses.

 

Marta Marques

Psicóloga da Educação

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