9ºAno, e agora?

Para muitos dos jovens este momento é difícil de gerir, porque acarreta muitas dúvidas e incertezas. Ao chegar ao 9ºAno, é necessário colocar a questão numa perspetiva mais realista, exigindo reflexão, ponderação e algumas opções. Pensando bem é a primeira grande escolha que os jovens tem de fazer relativamente ao seu futuro profissional. Chegou o momento de delinear um projeto concreto relativo ao futuro.

A importância da orientação vocacional

A necessidade de tomada de decisão tem sido bastante pertinente na fase da adolescência; daí a prática de orientação deve ser introduzida na vida escolar, desde cedo e em paralelo com o percurso de vida do sujeito. O processo de desenvolvimento vocacional influencia a perspetiva de encarar a educação para a carreira como sendo um esforço que deve iniciar-se no pré-escolar e prosseguir, ao longo de toda a vida.

Os possíveis caminhos

A opção vocacional que é apresentada a um jovem que está a finalizar o 9ºAno são os Cursos Científicos Humanísticos (neste via de ensino existem 4 alternativas: Ciências e Tecnologias, Ciências Socioeconómicas, Línguas e Humanidades e Artes Visuais), os Cursos Profissionais e os cursos artísticos especializados para quem quer obter uma formação artística de nível secundário na área da dança, da música e das artes visuais e audiovisuais. Ainda que a maioria dos alunos opte pelos cursos Científicos Humanísticos, nos últimos anos tem-se notado um aumento nos cursos de carácter profissional.

Preparar o que aí vem…

Seja qual for a via escolhida pelos jovens, a entrada no ensino secundário exige uma mudança de comportamento, atitudes e também uma adaptação a um novo contexto. Não há dúvidas que o ensino secundário é mais exigente, requer uma maior autonomia, responsabilidade e diferentes métodos de trabalho e hábitos de estudo diários. Um fator também importante é que a partir do 10ºAno todas as notas contam para a média final do ensino secundário.

O papel dos pais

De entre os múltiplos contextos onde ocorre o desenvolvimento vocacional, a família é considerada o primeiro e o mais significativo. Os pais como figuras significativas na vida dos jovens, influenciam, direta ou indiretamente as trajetórias vocacionais. Mesmo de forma indireta, como por exemplo, através do nível socioeconómico e da cultura da família, os pais vão influenciar as aspirações dos jovens. A influência direta surge quando os pais providenciam um suporte relacional de modo a facilitar o bem-estar dos filhos ou ainda, quando os pais conversam, encorajam e orientam os seus
filhos. Assim, os pais são a principal fonte de conhecimento, crenças e valores para os jovens; e os seus filhos tendem a tomar decisões em conformidade com essas opiniões e valores da família de origem. Mas também são eles que tendem a transmitir as valorizações da realidade do mundo do trabalho, ou seja, as dimensões que eles próprios consideram importantes para o sucesso profissional. Por fim, existem outros fatores que podem influenciar as atividades de exploração, aspirações, planos futuros e perceção de barreiras, na escolha de uma carreira, sendo estes a qualidade das relações pai-filhos, a comunicação aberta, o suporte oferecido e a confiança.

A educação vocacional deve ser encarada como um veículo para implementar o desenvolvimento vocacional nos jovens.

 

Marta Marques
Psicóloga da Educação

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